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A repercussão de Pantera Negra e a representatividade


Por Lara Sylvia

Pantera Negra: O filme do heroi africano já é a nona maior bilheteria dos EUA. Foto por: Omelete

O universo cinematográfico dos super-heróis sempre deixou a desejar na questão da representatividade de minorias, mas, felizmente, o cinema tem evoluído nesse quesito pouco a pouco. O filme Pantera Negra, lançado em fevereiro deste ano, se destacou pela quantidade de personagens negros e mulheres em papeis de grande importância e traz um ponto de vista diferente do que já foi mostrado pela Marvel até agora.

A história se passa em Wakanda, uma nação africana ficcional, um lugar que combina o passado e o presente com sua ancestralidade e tradições fortíssimas e a tecnologia mais avançada do mundo. Apesar de parecer mais um estereótipo da pobreza africana para quem vê a cidade de fora, Wakanda possui a maior concentração de Vibranium do mundo, o metal fictício já utilizado no escudo do Capitão América e no androide Visão.


Killmonger, o problemático vilão de Pantera Negra. Foto por: Omelete
  
O heroi Pantera Negra é, na verdade, o rei wakandano T'Challa que, após a morte de seu pai, precisa provar sua força como guerreiro e líder da nação. Porém, o filme surpreende e apresenta jornada dupla, já que a capacidade do vilão também precisa ser provada: Killmonger, como é chamado, levanta igualmente a problemática do racismo e do pertencimento cultural, fazendo com que a existência dele seja motivo de reflexão para todos e não uma presença maligna que deve ser combatida a qualquer custo.


A espiã Nakia e a princesa de Wakanda. Foto por: Omelete

A representação das mulheres negras wakandanas também é realmente bem feita no longa. As personagens de destaque, como a princesa e cientista Shuri, a espiã Nakia e a líder das Dora Milaje (a guarda real) Okoye, são independentes do rei T'Challa e tem suas vontades próprias e pequenos universos particulares muito bem construídas dentro da narrativa.

Mesmo tendo tão pouco tempo de estreia, o filme Pantera Negra, com seu humor inteligente (Shuri chamando o homem branco de colonizador, por exemplo, e fazendo ele se sentir desconfortável em sua nação) e sua trilha sonora incrível composta em sua quase totalidade por artistas negros, como  Kendrick Lamar e The Weeknd (que incluíram ritmos que lembra muito a África por si só),  já provocou uma imensa identificação em milhares de pessoas, principalmente crianças negras, que se sentiram representadas não só ao verem  um super-herói negro, forte e íntegro, mas ao verem também uma nação africana poderosa, inspiradora e empoderadora nas telonas. A atriz que interpreta Nakia,  Lupita Nyong'o, postou uma foto em seu instagram com crianças recriando os cartazes do filme: 

O ator negro veterano de Hollywood Will Smith, que costuma falar abertamente sobre questões sociais e políticas, disse em um vídeo postado em suas redes sociais: "Eu assisti o filme há alguns dias e, caraca, quase chorei. Vocês desafiaram e potencialmente destruíram muitas crenças e paradigmas falsos de longa data em Hollywood. Só quero parabenizar vocês. Estou orgulhoso. Estou animado [...]". Ele termina o vídeo fazendo a saudação de Wakanda.

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