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Lolita, a orca esquecida

9 de abril de 2018

Pela colaboradora Giulia Espir



Lolita em seu tanque, em Miami. Foto: divulgação


“É apenas trágico que Lolita seja mantida nesse ambiente torturador por tanto tempo” é assim que a Dra. Ingrid N. Visser, única bióloga marinha especializada em orcas do mundo, descreve a situação de Lolita. Em seu mini documentário “A Day in the Life of Lolita, The Performing Orca” a bióloga aponta que a orca vive há mais de 40 anos isolada no Miami Seaquarium, na Flórida.

A baleia foi aprisionada na maior captura de orcas da história, quando sete animais da espécie foram enclausuradas e vendidas para parques marinhos pelo mundo. Com apenas quatro anos, e por míseros US$6000, foi vendida para o Miami Seaquarium onde vive até hoje.




Lolita é a orca mais velha do mundo em cativeiro, pesando por volta de 3 toneladas e medindo em torno de 6 metros. Ela vive no menor tanque dos EUA, com aproximadamente 10 metros de comprimento, 24 metros de largura e 6 metros de profundidade no seu ponto mais fundo. Essas condições estão em total desacordo com as normas do Serviço de Inspeção Sanitária e Fitossanitária de Animais e Plantas (APHIS), departamento responsável por essa fiscalização. De acordo com o órgão, o tanque deve ter no mínimo 14 metros de cada lado a partir do ponto central. Além disso, o tanque de Lolita não possui proteção alguma contra o sol, o que pode causar bolhas na pele da baleia e outras complicações. Apesar do conhecimento das irregularidades no Seaquarium de Miami, as autoridades americanas se negam a tomar medidas contra esse absurdo e Lolita continua sofrendo com as consequências, demonstrando que o governo americano não está interessado em proteger os animais que lá vivem (ou sobrevivem).

As orcas são chamadas de baleias assassinas, mas são mamíferos marinhos que pertencem à família dos golfinhos e se alimentam de focas, arraias e peixes. Esses animais – apesar do nome – são extremamente inteligentes, sociáveis e vivem no mesmo grupo durante toda a vida. Também é sabido que essa espécie pode nadar mais de 160km diários enquanto fazem diversas atividades como caçar, dormir e brincar em grupo. Portanto, Lolita estar a mais de 40 anos confinada em um tanque minúsculo e sem nenhum contato com outro animal de sua espécie é uma atrocidade.

Em cativeiro, é comum que orcas apresentem comportamentos anormais e repetitivos, como ficar flutuando sem vida por horas, bater a cabeça contra o concreto, roer as paredes e tirar a cabeça da água reiteradamente. Tal conduta causa sérios danos a saúde dos animais, como ingestão de toxinas, dentes quebrados e machucados na pele, o que leva a diversos tipos de infecções que podem ser fatais. Segundo a Dra. Visser é possível observar exatamente essas atitudes em Lolita, que também exibe queimaduras pelo corpo por conta do sol escaldante de Miami.




Há um plano para que a baleia possa se aposentar em paz, longe dos shows e desse ambiente deplorável em que vive. A ideia é readaptá-la para a vida no oceano, ensinando-a como nadar em um espaço maior e alimentar-se de peixes vivos. Para isso, o plano é leva-la para uma baía que será fechada com redes, onde Lolita poderá ter a sensação de liberdade e a experiência do mar, mas de uma forma controlada. Após esse treinamento, ela será solta no mar aberto, onde poderá se reunir com sua família - que ainda está viva segundo pesquisadores da área que acompanham o grupo a anos.



Mesmo com todos os dados do plano indicando ser o melhor para o bem-estar de Lolita, o Seaquarium de Miami não concorda que a baleia deve ser aposentada e libertada para um ambiente digno de se viver; ao contrário, eles alegam que ela deve permanecer aonde está, pois está sendo bem cuidada e é o lugar mais seguro para ela. Obviamente essa seria a opinião da administração do parque, já que a baleia é vista apenas como um meio de lucro e como um objeto para o entretenimento humano. Apesar de inúmeras tentativas de ativistas para libertar o animal, a corte dos EUA também não aceitou o caso alegando que não há provas suficientes que indicam os maus tratados de Lolita. Em meio a tudo isso, a orca continua confinada e sozinha no menor tanque dos Estados Unidos, apenas esperando o seu fim. É claro de perceber que a situação de Lolita é precária - para dizer o mínimo - e que a crueldade humana não tem limites quando se trata de lucrar com animais enjaulados.

Resultado de imagem para #freelolita


"Isso não é 'entretenimento familiar'" Foto: campanha na internet


Ativistas como a Dra. Visser e a ONG PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) continuam a lutar para que Lolita seja libertada e possa viver o resto de seus dias em um lugar digno para uma orca. Além disso, existem diversas petições e protestos com a hashtag #freelolita circulando pela internet, contudo é de extrema importância que a história dessa orca seja espalhada e compartilhada. Após mais de 40 anos sozinha e presa a uma “piscininha”, Lolita merece a liberdade e um final feliz.

#freelolita















Moda e feminismo em The Bold Type (2017)

6 de março de 2018

PELA COLABORADORA GIULIA ESPIR



Foto: reprodução

The Bold Type é uma série norte americana televisionada pela emissora Freeform (antiga ABC family) criada por Sarah Watson e Holly Whidden e inspirada na vida da editora-chefe da revista Cosmopolitan, Joanna Coles. Ela conta a história de Jane Slon (Katie Stevens), Kat Edison (Aisha Dee) e Sutton Brady (Meghann Fahy), que lutam para ganhar espaço na revista de moda Scarlet.

Acompanhando a vida das três mulheres no auge de seus 20 anos na cidade de Nova York, vemos Jane tentando achar seu lugar como escritora enquanto lida com fantasmas do passado, medos e inseguranças; Kat, em sua jornada como diretora de mídias sociais, seus dilemas de certo e errado e de sua sexualidade — tema abordado de forma natural e realista; e por último Sutton, uma secretária com o sonho de trabalhar com moda, e que possui uma relação secreta com um dos membros do conselho da revista.

É impossível falar de The Bold Type sem mencionar a editora-chefe da revista Scarlet: Jacqueline Carlyle (interpretada por ninguém menos que Melora Hardin). Diferentemente de outras séries e filmes, é uma figura de poder que não deprecia seus funcionários para se tornar maior; ao contrário, guia respeitosamente as personagens como uma mentora, compartilhando suas vitórias e derrotas, sempre com classe.


Melora Harding no papel da editora-chefe Jacqueline Carlyle. Foto: reprodução

A primeira cena já define o clima para o resto da temporada. Vemos as três mulheres em frente ao metrô, com vestidos de gala, de mãos dadas e gritando a plenos pulmões enquanto o trem passa.

Essa série é como uma onda de ar fresco para a televisão, trazendo de forma leve e natural — e com muitas risadas pelo caminho — assuntos polêmicos da atualidade, como política, imigração, sexo, mídias sociais, sexualidade e as escolhas da vida.


A primeira cena mostra Sutton, Jane e Kat no metrô. Foto: reprodução.

Uma das histórias principais gira em torno do relacionamento de Kat com Adena (Nikohl Boosheri), uma muçulmana lésbica que é apreendida ao voltar para sua terra natal por não concordar com a política, mas que também é deportada ao tentar voltar para os Estados Unidos após algumas semanas no exterior. Só nessa história já é possível perceber que The Bold Type força os limites com seu conteúdo e mostra que qualquer assunto tabu pode ser falado de forma simples, mas ainda sim seriamente.

Outro ponto abordado é o assédio — em suas diferentes facetas — sofrido por mulheres e como cada uma lida com isso. Sobre isso vemos umas das personagens principais e mais fortes se abrir e contar sobre o seu abuso anos depois de ocorrido e mostrando sua vulnerabilidade e força.


Adena trata de sexualidade de forma muito natural. Foto: reprodução.

Com uma forte representação do empoderamento feminino, a abordagem engraçada, porém sensível, de assuntos polêmicos e um elenco perfeito para o trabalho, The Bold Type é a série para se assistir no momento. Leve, engraçada e inédita, ela conquistou milhares de espectadores e foi renovada para mais 2 temporadas.


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